sábado, 31 de março de 2012

A Reinvenção da vida - Chico Anysio

Posted by Cristina C C Vieira on março 31, 2012 with No comments
Eu queria que as pessoas nascessem velhas e morressem crianças. Pensem bem: o homem quando resolve viver, e quando tem tempo para isso, já está no fim da vida – careca, barrigudo, sem a menor disposição para nada. Por isso é que seria uma boa o homem nascer velho e morrer criança. Nascia com 80 anos e ia ficando moço até morrer na infância.

Nascer velho. As amigas conversando: Nasceu meu filho. Perfeitinho, 80 anos, 75 quilos, 1,80 de altura. E como vai se chamar? Ah, eu tinha escolhido Luis Antônio, mas ele mesmo foi ao cartório e se registrou: Aroldo.

Aí vinha outra: Não está lindo meu filho? Mas, peraí, de calcinha e sutiã? É que eu esperava menina e tal.

E quando chegasse uma visita, a mãe chamaria: Venham ver, hoje ele deu a primeira tossida. “Tosse aí para a moça ver”. Como todo bom velhinho, você nasceria com o direito a ser neurastênico e ranzinza. Nos berçários, filas de cadeiras de balanço com os velhinhos pigarreando sob cuidados de geriatras, se queixando das doenças de recém-nascido.

Mas nada faria mal porque todo mal já estaria feito. Você só iria melhorando a cada dia. Os anos e as semanas caminhariam para trás. Sexta, quinta, quarta, terça, segunda-feira virava sábado. Quer coisa melhor? E se a vida corresse para trás, tudo seria mais fascinante. Acordei com uma ressaca tão grande hoje. Estou imaginando o pileque que eu vou tomar de noite. Se nascesse com 80 anos, você aos 60 casaria. E aí? Uma desvantagem: casava com uma velha.
Mas é preciso não esquecer que com o correr do tempo a sua mulher ia ficando cada dia melhor. Mais moça, até ficar viçosa e se transformar num ‘pancadão’ de mulher aos 20 anos.

E vocês, depois do casamento, ficariam noivos e depois de noivos seriam namorados, até chegar ao amor infantil, puro e desinteressado. O amor de duas crianças apagando das árvores os corações entrelaçados. Você nasceria rico, aposentado e sábio. Na sua profissão você seria um gênio. Ganharia cada vez menos até chegar à faculdade para ir desaprendendo. E ficava mais ingênuo, mais burro e mais puro. No fim da vida, você teria a pureza absoluta. Andar de bicicleta, nadar pelado no rio, trepar em árvores, soltar barquinho de papel nas enxurradas. A bola, a pipa o chiqueirinho, o boneco de pano. Do chiqueirinho para o berço, o chocalho e pararia de chorar.  E com o tempo correndo para trás, a humanidade regrediria dos séculos. Colombo e Cabral, de marcha ré, ‘desdescobriram’ o novo mundo. Chegaríamos a ‘desinvenção’ da roda e o desconhecimento do fogo até o último homem, o último primeiro, quando entra um Deus pegando nas mãos, ao invés de soprar, inspiraria o homem outra vez para dentro de si. 

sábado, 17 de março de 2012

Por que dissertar?

Posted by Cristina C C Vieira on março 17, 2012 with No comments
    Ao se comunicar com alguém, por escrito, você poderá ter diferentes intenções.

      Se você pretender formar na mente do seu leitor a imagem de um objeto, de um lugar ou de uma pessoa, com suas características de forma, cor, luz, som etc, estará fazendo uma descrição.

    Se você tiver a intenção de contar um ou mais acontecimentos, reais ou imaginários, envolvendo pessoas, fatos, lugares e um tempo determinado, estará criando uma narração.

   Se você quiser expor ideias a respeito de um assunto, analisando-as e discutindo-as, você estará redigindo uma dissertação.

Dificuldades da dissertação

   Além da correção gramatical, a dissertação tem outras qualidades, como originalidade, clareza, unidade e coerência.

  • originalidade - evitar frase feita, o lugar comum, ideias sem sentido.
  • clareza - não usar frases ambíguas (não está claro o que quer passar) ou de duplo sentido, períodos longos e detalhes desnecessários.
  • unidade e coerência - dependem da ordem adequada em que se colocam as ideias.
Estrutura do texto dissertativo

  • Introdução - deve conter o tema escolhido e levantar um problema analisado.
  • Desenvolvimento - é a exposição de argumentos, de raciocínios que devem fundamentar o nosso ponto de vista.
  • Conclusão - muitas vezes se inicia com palavras como portanto, assim, daí, concluímos, por isso, então ou similares, e é a nossa resposta ao problema levantado.

Concurso de dramaturgia

Posted by Cristina C C Vieira on março 17, 2012 with No comments



Concurso Seleção Brasil em Cena | 5a edição

16 Jan a 16 Abr

Local: CCBB RJ 
Horário: Verificar com a bilheteria 
De 16 de janeiro a 16 de abril de 2012 estão abertas as inscrições para a quinta edição do
projeto Seleção Brasil em Cena.  Promovido pelo CCBB, o concurso de dramaturgia tem
como principal objetivo fomentar a literatura dramática nacional por meio do surgimento
de novos dramaturgos.

Serão selecionados doze textos que receberão leituras dramatizadas distintas a serem
realizadas no Rio de Janeiro e Brasília, durante as quais serão eleitos 2 textos vencedores
(um em cada cidade), por meio do voto dos diretores e do público.  Os 2 (dois) 
autores vencedores serão premiados com a encenação de seu texto nos teatros
do CCBB RJ e Brasília patrocinadas pelo Banco do Brasil. Não há limite para a
quantidade de textos inscritos por candidato.

Os textos recebidos serão avaliados por uma comissão julgadora formada por profissionais
 das artes cênicas e os nomes dos autores só se tornarão conhecidos pelo júri após a
escolha dos doze finalistas.

Desde sua criação, o Seleção Brasil em Cena recebeu mais de 900 textos de autores
 de todo o País e as leituras dramatizadas foram dirigidas por expressivos nomes do
teatro contemporâneo brasileiro tais como Paulo de Moraes, Ivan Sugahara, Stella
Miranda, Gilberto Gawronski e Moacir Chaves, dentre outros.  Ao longo das quatro
edições anteriores, cerca de 86 atores indicados por renomadas escolas de teatro
participaram das leituras juntamente com dezenas de estagiários em cenotécnica,
 iluminação e figurinos. O espetáculo “É Samba na Veia é Candeia”, vencedor da
3ª edição , recebeu duas indicações ao Prêmio Shell 2009, uma delas a de melhor texto.

nformações
 Data:Inscrições até 16 de abril de 2012
Idade recomendada:

 Horário:Verificar com a Bilheteria
 Local:Rua Primeiro de Março, 66 - Centro
 Bilheteria:Terça a domingo, das 9h às 21h | Telefone: (21) 3808-2020

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Ortografia

Posted by Cristina C C Vieira on fevereiro 18, 2012 with No comments
Ortografia, da combinação dos elementos de origem grega orto - (reto, direto, correto) + grafia (representação escrita de uma palavra), é o conjunto de regras estabelecidas pela gramática normativa que ensina a escrita correta das palavras.

1. Emprego de J ou G.

    Emprega-se a letra j:

  • nas palavras de origem árabe, africana e indígena: pajé, jiboia, biju;
  • nas palavras derivadas de outras que já possuem j em seu radical: laranjeira (laranja), sujeira (sujo);

    Emprega-se a letra g:

  • nas terminações -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio: prestígio, refúgio;
  • e, geralmente, nas terminações -agem, -igem, -ugem: garagem, ferrugem. Exceções: pajem; lambujem.

2. Emprego de X ou CH.

    Emprega-se a letra x:

  • normalmente depois de ditongo: caixa, peixe, trouxa (exceções: caucho, recauchutar, recauchutagem);
  • depois de me- inicial: mexer, mexilhão (exceções: mecha e seus derivados);
  • depois de en- inicial: enxurrada, enxaqueca (exceções: encher, encharcar, enchumaçar e seus derivados).

3. Emprego de -izar    -isar


     Escreve-se com z quando o verbo é formado a partir da soma de nome (substantivo ou adjetivo) + sufixo -izar. Por exemplo: animal + izar = animalizar.

      Escreve-se com s quando o verbo é formado a partir do nome (que já apresenta a letra s + sufixo -ar. Por exemplo: análise + ar = analisar. 


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Exposição Tarsila do Amaral - CCBB

Posted by Cristina C C Vieira on fevereiro 14, 2012 with 2 comments

Tarsila do Amaral – Percurso Afetivo

14 Fev a 29 Abr
Local: 2º andar | CCBB RJ 
Horário: Conforme programação 
 
Primeira exposição individual nos últimos 40 anos no Rio de Janeiro de uma das mais importantes e emblemáticas artistas brasileiras. Tarsila do Amaral tem seu nome registrado na história da arte brasileira como uma vanguardista com presença marcante no Modernismo Brasileiro envolvendo-se de forma direta nos movimentos Pau-Brasil e Antropofágico. 

Complementam a exposição uma palestra-concerto e encontros com curadores. 

Curadoria: Antonio Carlos Abdalla e Tarsilinha do Amaral.
Informações
 Data:De 14 de fevereiro a 29 de abril de 2012Idade recomendada:

Consultar programação
 Horário:Conforme programação
 Local:2º andar | Rua Primeiro de Março, 66 - Centro
 Bilheteria:Terça a domingo, das 9h às 21h | Telefone: (21) 3808-2020
 Ingressos:Entrada franca

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Emprego de algumas expressões - Parte I

Posted by Cristina C C Vieira on janeiro 26, 2012 with No comments
ACESSAR

Use acessar apenas para tratar de informática, no sentido de chamar ou acionar um arquivo. Não use no lugar de verbos como atingir, alcançar.


A PARTIR DE

Significa a começar de, a datar de e marca o início de algo no tempo e no espaço. Além disso, a locução carrega uma noção de continuidade. O correto seria usar somente uma preposição ou o advérbio depois:

O projeto começou a nascer em uma visita:... começou a nascer depois de uma visita; ...começou a nascer durante uma visita (e não... a partir de uma visita).

Não use a partir de com o sentido de com base em ou para introduzir, eventos pontuais:
A seleção dos alunos aconteceu com base na indicação de professores (e não a partir da indicação de professores).


ATRAVÉS DE

Deve ser usado no sentido de de um lado a outro:

Correu através do campo.

Viajou de bicicleta através do mundo.

por entre:

Viu através da fumaça.

Espreitava através da cortina da sala a vida dos vizinhos.

por dentro de:

Foram horas e horas percorridas através de túneis.


ao longo de:

Ficava mais sábio através dos anos.


ATENÇÃO: não use através de no lugar de: por meio de, por intermédio de, por.

O estilo fica empobrecido e a expressão muito desgastada. O recomendável é:

Conheceu o marido por intermédio da prima (e não através da prima).

Sabiam das notícias por meio do / pelo rádio (e não através do rádio).


ALTERNATIVA

Alternativa implica outra possibilidade, por isso não se pode dizer única alternativa.



O uso da crase

Posted by Cristina C C Vieira on janeiro 26, 2012 with 2 comments
Crase é a fusão de dois a a (à); um é ´reposição, o outro é artigo. Observe as frases a seguir:

É bom irmos a a cidade hoje.

Eu me referi a a aeromoça.


Como em todas essas frases existe a necessidade de haver tanto a preposição como o artigo, eles se unem para formar a crase:

É bom irmos à cidade hoje.

Eu me referi à aeromoça.


Portanto, para saber se um a deve ou não ser craseado, veja se ele pode ser decomposto em dois a a (preposição + artigo). Se não puder, nada de crase.


Nunca use:

  • antes de qualquer palavra masculina;
  • antes de verbo;
  • entre palavras repetidas (gota a gota; dia a dia);
  • em a seguido de plural (Não costumo ir a shows ao ar livre).

Literatura oral no Brasil

Posted by Cristina C C Vieira on janeiro 26, 2012 with No comments
1. A origem

    Em princípio - história popular; elemento simples, compacto, criado para e função exclusiva daquele uso; sentido nacional, expressão local, típica, desconhecida para os vizinhos e curiosa para ser entendida pelos estrangeiros. Atualmente: dificuldade em fixar o raro "local" e o fugitivo "nacional" no que dizemos próprio e mesmo característico.

  • Anedota ou história, cantiga ou ronda infantil ou adivinha - elementos justapostos, encadeados, formando o enredo, o assunto, o conteúdo - presenças em terras incontáveis e numa multidão de exemplos. A novidade consiste na forma tomada por esses elementos-temas. O grau de aproximação, resultante da maior ou menor coincidência do enredo geral ou de um e mais elementos formadores, vai batizando as variantes (cores locais, algum modismo verbal, um hábito, uma frase, denunciando uma região, uma época.)
  • Histórias mais populares no Brasil - as de caráter universal, antigas, seculares, espalhadas por quase toda a superfície da terra.
  • É possível o que não tenhamos recebido de fora, mas é feito com elementos importados (memória dos colonos, cultura negra espalhada através dos mestiços); a dos índios reduz-se as áreas geográficas em que a tribo se fixou.
  • Os mais antigos, iniciadores do gênero - as fábulas.
  • Episódios sentimentais surgem das tradições guerreiras das gestas, expandido-se, ampliado e transfigurado.
  • Tanto mais os temas se distanciam da simplicidade espiritual primitiva, da unidade psicológica inicial, maior número de elementos adquirem, desenvolvendo-se e possibilitando o entendimento para outros povos. As histórias para rir e os contos obscenos são conquistas de civilizados.
  • Finalidade - doutrinar, pondo ao alcance da mentalidade infantil e popular, por meio de apólogos, historietas rápidas, o corpo de ensinamentos religiosos e sociais que preside à organização do grupo.
  • É possível medir o grau de solidariedade dos ouvintes - participação crítica e apreciação espontânea da matéria moral.
  • Os temas satíricos são posteriores e variam de povo para povo.
  • O conto obsceno, a anedota fescenina, são testemunhos de evolução mental, libertação do grupo religioso de ensino catequístico, renúncia à moral comum.
  • A inclusão da literatura oral como informação decisiva de psicologia coletiva evidenciou não apenas antiguidade, mas humanidade dos temas e dos elementos.
2. Canto e dança - expressão da alegria plena do brasileiro (filho de raças cantadeiras e dançarinas), comunicação mais rápida, unânime e completa dentro do país.

  • Rápida comunicabilidade, não observada em qualquer outra parte do mundo, a não ser nas cantigas patrióticas ou satíricas.
  • Canto e dança são mantidos em seu caráter primitivo inseparável e siamês. Portugueses, africanos e indígenas tiveram danças cantadas e coletivas. Danças sem espectadores. Sem assistência. Todos os presentes participavam, cantando, dançando, batendo palmas. Os músicos dançam também. Só os velhos, os doentes, os inúteis, olham a festa.
  • "Quando o preto canta. Chicuembo repousa (Deus descansa)".
  • "andavam muitos deles dançando e folgando uns ante outros, sem se tomarem pelas mãos, e faziam-no bem" (Carta de Pero Vaz de Caminha).
  • Os portugueses foram grandes bailadores - Gil Vicente - o melhor documentário do Portugal quinhentista. Nele falam as mil vozes do povo, numa repercussão inteira e clara de maravilhosa fidelidade. Era assim que sentia o português quando o Brasil começou a viver.
  • O canto e a dança no Brasil são águas desses três estuários do indígena, do negro e do português.
  • Indígena: o maracá, o refrão curto; Cateretê, Caruru, contrariou, no impulso lírico português, o excessivo tema amoroso; os bailados Caboclinhos, Caiapós; o canto Catimbó nordestino e a pajelança amazônica.
  • Portugueses: o tonalismo harmônico, a quadratura estrófica, os instrumentos musicais popularíssimos: violão, cavaquinho, viola, flauta, oficleide, piano, grupo dos arcos, a Moda, o Acalanto, a Roda infantil, o Fado dançado, o fandango, o reisado, o pastoril, a marujada, a chegança (estas duas herdadas dos mouros).
  • Africanos: rítimicas, vocábulos, flexões de sintaxe e dicção que influenciaram a conformação da linha melódica. Cantos e danças, a Congada, o Maracatu, o maxixe, a habanera, o tango, o foxtrote.
  • "Na realidade, foi de uma complexa mistura de elementos estranhos que se formou a nossa música popular". (Mário de Andrade)

 
    OBS: Informações com base no capítulo 2 do livro "Literatura oral no Brasil".

História da Estrela do Mar

Posted by Cristina C C Vieira on janeiro 26, 2012 with No comments
      Era uma vez um escritor, que morava numa praia tranquila, junto a uma colônia de pescadores. Todas as manhãs ele passeava à beira-mar, para se inspirar, e de tarde ficava em casa escrevendo.

        Um dia, caminhando na praia, ele viu um vulto que parecia dançar. Quando chegou perto, era um jovem pegando na areia as estrelas-do-mar, uma por uma, e jogando novamente de volta ao oceano.

        - Por que você está fazendo isso? - perguntou o escritor.

       - Você não vê? - disse o jovem - A maré está baixa e o sol está brilhando. Elas vão secar ao sol e morrer, se ficarem aqui na areia.

       - Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praia por esse mundo afora, e centenas de milhares de estrelas-do-mar, espalhadas pelas praias. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma.

      O jovem pegou mais uma estrela na areia, jogou de volta ao oceano, olhou para o escritor e disse:

        - Para essa, eu fiz a diferença.

    Naquela noite o escritor não conseguiu dormir nem escrever. De manhãzinha foi para a praia. Reuniu-se ao jovem e juntos começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao Oceano.

História do Romance Espanhol

Posted by Cristina C C Vieira on janeiro 26, 2012 with No comments
    Para falarmos disso, trago um pequeno trecho, uma pequena adaptação de uma cena narrada por Camilo José Cela em seu livro "Viajei a la Alcarria" que acredito ilustrar bem esta questão. Este trecho foi retirado do livro de Antônio Viñao Frago.

      "Diz ele que um viajante chega a uma alfeia. A professora que o acompanha a uma visita à escola fala de pedagogia e diz que as crianças são boas, aplicadas e muito atentas. Chama, então, um menino e uma menina e pergunta:

       - Vamos ver. Quem descobriu a América?

       - Cristóvão Colombo - diz o menino sem vacilar.

        A professora sorri.

     - Agora você - aponta para a menina - Qual foi a melhor rainha da Espanha?

       - Isabel, a Católica.

       - Por quê?

       - Porque lutou contra o feudalismo e o Islã, realizou a unidade de nossa pátria e levou nossa cultura e religião para além dos mares.

        A professora, satisfeita, explica ao viajante:

       - É minha melhor aluna.

       A pequenina está muito séria, muito possuída do seu papel de número um. O viajante dá-lhe uma bala de café-com-leite, leva-a um pouco à parte e pergunta:

       - Como te chamas?

       -Rosário Gonzales.

       - Bem. Vejamos. Rosário, você sabe o que é feudalismo?

       - Não senhor.

       - E o Islã?

       Não senhor - responde perturbada a menina.

       O viajante, então, suspende o interrogatório."


       A menina, como vimos, fala como um livro. Um livro que ela não entende, mas a memorização deste livro é que permite que a aluna seja bem avaliada pela escola.

       É isso que queremos para os nossos jovens?