sexta-feira, 14 de junho de 2013

Dez em Humor - Millôr Fernandes

Posted by Cristina C C Vieira on junho 14, 2013 with No comments
Dez em Humor
Millôr Fernandes

Ah, essa falsa cultura:

Rômulo foi alimentado por uma loba e ficou conhecido como o lobo do homem.
A Argentina é um país cor de laranja do lado esquerdo do Brasil.
Os incas eram tão adiantados que já tinham até a circulação do sangue.
Os judeus foram perseguidos porque se entregavam a uma vida inteiramente semítica.
Eqüidistância é você estar à mesma distância de todos os lugares ao mesmo tempo.
O lugar mais quente da terra é perto do Cuador.
A inoculação é um ato sexual entre os micróbios.

DICIONOVÁRIO (palavras que precisam ser inventadas):

REALÇÃO - 
Oposição ao monarca.
BARCILO - Bactéria encontrada no bar.
CÔNEGRO - Eclesiástico de cor.
TATATATATATARAVÔ - O antepassado do gago.
INAUGORAÇÃO - Estréia que não houve.
VILTÓRIA - Vencer uma luta mesquinha.
SERVANTE - Servente com mania de ler o Dom Quixote.
CEDOÇÃO - Atrair sensualmente às primeiras horas do dia.
BOICEJO - Demonstração de tédio por parte do marido de dona vaca.
CENSOALIDADE - Estatística da volúpia.

"Antigamente os animais falavam. Hoje escrevem."

Chapeuzinho Vermelho - Millôr Fernandes

Posted by Cristina C C Vieira on junho 14, 2013 with No comments
Chapeuzinho Vermelho
Millôr Fernandes

Era uma vez (admitindo-se aqui o tempo como uma realidade palpável, estranho, portanto, à fantasia da história) uma menina, linda e um pouco tola, que se chamava Chapeuzinho Vermelho. (Esses nomes que se usam em substituição do nome próprio chamam-se alcunha ou vulgo). Chapeuzinho Vermelho costumava passear no bosque, colhendo Sinantias, monstruosidade botânica que consiste na soldadura anômala de duas flores vizinhas pelos invólucros ou pelos pecíolos, Mucambés ou Muçambas, planta medicinal da família das Caparidáceas, e brincando aqui e ali com uma Jurueba, da família dos Psitacídeos, que vivem em regiões justafluviais, ou seja, à margem dos rios. Chapeuzinho Vermelho andava, pois, na Floresta, quando lhe aparece um lobo, animal selvagem carnívoro do gênero cão e... (Um parêntesis para os nossos pequenos leitores — o lobo era, presumivelmente, uma figura inexistente criada pelo cérebro superexcitado de Chapeuzinho Vermelho. Tendo que andar na floresta sozinha, - natural seria que, volta e meia, sentindo-se indefesa, tivesse alucinações semelhantes.).

Chapeuzinho Vermelho foi detida pelo lobo que lhe disse: (Outro parêntesis; os animais jamais falaram. Fica explicado aqui que isso é um recurso de fantasia do autor e que o Lobo encarna os sentimentos cruéis do Homem. Esse princípio animista é ascentralíssimo e está em todo o folclore universal.) Disse o Lobo: "Onde vais, linda menina?" Respondeu Chapeuzinho Vermelho: "Vou levar estes doces à minha avozinha que está doente. Atravessarei dunas, montes, cabos, istmos e outros acidentes geográficos e deverei chegar lá às treze e trinta e cinco, ou seja, a uma hora e trinta e cinco minutos da tarde".

Ouvindo isso o Lobo saiu correndo, estimulado por desejos reprimidos (Freud: "Psychopathology Of Everiday Life", The Modern Library Inc. N.Y.). Chegando na casa da avozinha ele engoliu-a de uma vez — o que, segundo o conceito materialista de Marx indica uma intenção crítica do autor, estando oculta aí a idéia do capitalismo devorando o proletariado — e ficou esperando, deitado na cama, fantasiado com a roupa da avó.

Passaram-se quinze minutos (diagrama explicando o funcionamento do relógio e seu processo evolutivo através da História). Chapeuzinho Vermelho chegou e não percebeu que o lobo não era sua avó, porque sofria de astigmatismo convergente, que é uma perturbação visual oriunda da curvatura da córnea. Nem percebeu que a voz não era a da avó, porque sofria de Otite, inflamação do ouvido, nem reconheceu nas suas palavras, palavras cheias de má-fé masculina, porque afinal, eis o que ela era mesmo: esquizofrênica, débil mental e paranoica pequenas doenças que dão no cérebro, parte-súpero-anterior do encéfalo. (A tentativa muito comum da mulher ignorar a transformação do Homem é profusamente estudada por Kinsey em "Sexual Behavior in the Human Female". W. B. Saunders Company, Publishers.) Mas, para salvação de Chapeuzinho Vermelho, apareceram os lenhadores, mataram cuidadosamente o Lobo, depois de verificar a localização da avó através da Roentgenfotografia. E Chapeuzinho Vermelho viveu tranqüila 57 anos, que é a média da vida humana segundo Maltus, Thomas Robert, economista inglês nascido em 1766, em Rookew, pequena propriedade de seu pai, que foi grande amigo de Rousseau.

sábado, 11 de maio de 2013

Pleonasmo (figura de construção ou sintaxe)

Posted by Cristina C C Vieira on maio 11, 2013 with 2 comments
É a repetição de uma ideia ou de uma função sintática. A sua finalidade é enfatizar a mensagem.


Exemplos:


Choramos um choro sentido. (repetição de ideias)

Ele sempre viveu uma vida simples e calma. (repetição de ideias)

A ti nada te devo. (repetição de função sintática)
 OI             OI pleonástico


Este erro, jamais o cometerei novamente. (repetição de função sintática)
    OI                        OI pleonástico


"Todos nus e da cor da treva escura." (Camões)

Hipérbato (figura de construção ou de sintaxe)

Posted by Cristina C C Vieira on maio 11, 2013 with No comments
É o deslocamento dos termos da oração ou das orações no período.


Exemplos:


"Bendito o que, na Terra, fez o fogo, e o teto."
(= Bendito o que fez o fogo e o teto na Terra.)

                        (Olavo Bilac)


"É esta
de teu querido pai a mesma barba
a mesma boca e testa."

(= É esta a mesma barba, a mesma boca e testa de teu querido pai.)

                           (Tomás Antônio Gonzaga)

Prosopopeia ou personificação (figura de pensamento)

Posted by Cristina C C Vieira on maio 11, 2013 with No comments
Consiste em emprestar ação, voz ou sentimento humanos a seres inanimados ou imaginários.


Exemplos:


"Dorme, ruazinha, é tudo escuro." (Mário Quintana)

"Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume." (Machado de Assis)

"O vento beija meus cabelos / As ondas lambem minhas pernas / O sol abraça o meu corpo." (Lulu Santos / Nelson Motta)

Hipérbole (figura de pensamento)

Posted by Cristina C C Vieira on maio 11, 2013 with No comments
É o recurso de expressão pelo qual se engrandece ou diminui de forma exagerada uma afirmação.

Exemplos:


"Vê-se ondear um oceano de cabeças." (Rebelo da Silva)

"Chorou lágrimas de esguicho." (Nelson Rodrigues)

"Rios te correrão dos olhos, se chorares." (Olavo Bilac)


 Há um século que não falo com você.

Comparação (figura de palavra)

Posted by Cristina C C Vieira on maio 11, 2013 with No comments
Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados por nexos comparativos explícitos - como, tal qual, assim como, que nem, feito, etc.


Exemplos:

"A liberdade das almas, frágil, frágil, como o vidro." (Cecília Meireles)


"Eu voltava cansado como um rio." (Paulo Mendes Campos)

"A felicidade é como a gota / de orvalho numa pétala de flor." (Vinícius de Moraes)

Metonímia (Figura de palavra)

Posted by Cristina C C Vieira on maio 11, 2013 with No comments
É o emprego de um nome por outro em virtude de haver entre eles algum relacionamento.

Exemplos:


1. Vivo do meu trabalho. (do produto do trabalho = alimento)

2. Aquele poeta bebeu a morte. (= veneno)

3. Os microfones corriam no gramado. (= repórteres)

4. Leio Drummond, o nosso poeta. (= a obra de Carlos Drummond de Andrade)

5. Bebeu uma xícara de leite. (= o conteúdo de uma xícara).

6. A coroa foi disputada pelos irmãos. (= poder)

7. "E mães. a agonizar de fome e de cansaço,
    Levam com o coração mais do que com os braços
    Os filhos pequeninos." (= sentimentos)
                                    
                                           (Vicente de Carvalho)

8. Um dia a virtude vencerá. (= os virtuosos)

9.Falta-me o teto hospitaleiro. (= casa)

10. Na calada da noite, revelou-se um judas. (= traidor)

11. Põe meia dúzia de skol para gelar. (= cerveja)


Metáfora (figura de palavra)

Posted by Cristina C C Vieira on maio 11, 2013 with No comments
Essa figura de palavra ocorre quando um termo substitui outro a partir de uma relação de semelhança entre os elementos que esses termos designam, ou seja, é uma comparação implícita.


Exemplos:


"Sua boca é um cadeado
E meu corpo é uma fogueira." (Chico Buarque de Holanda)


"O tempo é uma cadeira ao sol, e nada mais." (Carlos Drummond de Andrade)


"Meu cartão de crédito é uma navalha." (Cazuza)


"A lua nova é uma vozinha da tarde..." (Jorge Luís Borges)


"A minha vida é uma colcha de retalhos, todos de uma mesma cor." (Mário Quintana)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Determinado e Determinante

Posted by Cristina C C Vieira on maio 03, 2013 with 4 comments

DETERMINADO

  • Que se pode determinar, que foi estabelecido ou decidido.

      Ex: O pagamento é o valor determinado.

  • Que demonstra decisão ou resolução; decidido.

     Ex: Ele é um sujeito determinado.

  • Que foi estipulado com antecedência; estabelecido.

     Ex: Entregue o trabalho no dia determinado.

  • Na gramática: aparece numa frase, numa oração, é o elemento ou palavra que contém a ideia geral.

      Ex: O artista agradecia os aplausos.
             determinado

  • Que não se pode especificar, qualquer.
      Ex: Ganhou um determinado carro.


Sinônimos: decidido, deliberado e setenciado.

Antônimos: incerto e indeterminado.


DETERMINANTE

  • Que determina.
  • Na Matemática: soma algébrica de todos os produtos de vários fatores dispostos em linhas e colunas, que formam quadrado, tornando-se um elemento de cada linha.
  • Determinativo, causador.

      Ex: "O fator em última análise determinante da história é a produção e a reprodução da vida imediata".

                (Friedrich Engels)